terça-feira, 27 de outubro de 2026

Os novos seguidores de Balaão

 

Os novos seguidores de Balaão

Texto: Números 30.15 a 20

 “Vês aqui, hoje te tenho proposto a vida e o bem, e a morte e o mal; porquanto te ordeno hoje que ames ao Senhor teu Deus, que andes nos seus caminhos, e que guardes os seus mandamentos, e os seus estatutos, e os seus juízos, para que vivas, e te multipliques, e o Senhor teu Deus te abençoe na terra a qual entras a possuir.  Porém se o teu coração se desviar, e não quiseres dar ouvidos, e fores seduzido para te inclinares a outros deuses, e os servires,  então eu vos declaro hoje que, certamente, perecereis; não prolongareis os dias na terra a que vais, passando o Jordão, para que, entrando nela, a possuas; os céus e a terra tomo hoje por testemunhas contra vós, de que te tenho proposto a vida e a morte, a bênção e a maldição; escolhe pois a vida, para que vivas, tu e a tua descendência, amando ao Senhor teu Deus, dando ouvidos à sua voz, e achegando-te a ele; pois ele é a tua vida, e o prolongamento dos teus dias; para que fiques na terra que o Senhor jurou a teus pais, a Abraão, a Isaque, e a Jacó, que lhes havia de dar.”

A paz do Senhor,

Nesses últimos dias tenho posto em meu coração escrever sobre Balaão e seus ensinamentos. Não apenas para descrevermos seus atos, mas, principalmente, dos que ainda hoje, de forma sutil e, às vezes, sem perceber acabam seguindo as mesmas escolhas.

Inicialmente precisamos abordar rapidamente sobre o texto acima onde Moisés (juiz, legislador e profeta) alerta ao povo de Israel para escolher (decidir, votar) sempre a favor da vida que está incluída nos mandamentos do Senhor. Alerta também para estar atento e não ser seduzido de alguma forma e acabem se desviando dos ensinamentos pois isso geraria maldição e morte. Dito isto, vejamos um pouco a vida de Balaão.

Nos capítulos 22, 23 e 24 do livro de Números encontraremos dois personagens aliançados, Balaque (Rei de Moabe) e Balaão, profeta.  Segundo o doutor R. N. Champlin o nome Balaão significa “devorador” ou “estrangeiro”; ele vivia em Petor (Nm 22.5), cidade da Mesopotâmia e acabou sendo morto junto com os midianitas (Nm 31.8). Embora não fosse ele hebreu mantinha uma comunhão com Deus de tal maneira que suas palavras atraíram ao Rei Balaque e, a partir daí, a vida dele muda drasticamente.

Balaque, temeroso de perder seu reino em virtude da presença do povo de Israel, propõe pagar um alto preço (Nm 22.7) a Balaão para que mude a benção em maldição. O amor ao dinheiro é a raiz de todos os males, já nos adverte Paulo em 1 Tm 6.10, para que um líder cristão não esqueça de seu chamado em detrimento do vil metal.

Embora Balaão fosse conhecedor que Deus abençoara a Israel (Nm 23.23) ele já havia perdido a visão espiritual, algo que até uma jumenta possuía, menos o profeta. Descontente com o fato que perderia os bens materiais por não fazer o que Balaque queria passou a descrever maneiras vis de fazer desviar a Israel e, consequentemente, atrair maldições para aquela nação. Instruiu a Balaque a oferecer prostitutas e outros deuses para o povo hebreu que, infelizmente, caiu no laço e rapidamente se desviaram do caminho do Senhor, conforme lemos em Nm 25.1-3 e 31.16.

Os ensinamentos de Balaão e sua ambição por dinheiro são descritos como maldição e associados à corrupção em 2 Pe 2.15 e Jd 11, mas em Apocalipse 2.14 o termo grego skandalon surge mais enfático e diz “cilada, armadilha”. Nesta parte chegamos ao presente século.

Os ensinamentos de Balaão geram danos desde 1450 a.C até aos dias atuais. O alerta mosaico no texto com o qual abrimos essa mensagem está associado com o texto de 1 Tm 4.16: “Tem cuidado de ti mesmo e da doutrina”. Nos dias em que vivemos o servo de Deus é seduzido a abraçar a “corrupção” em detrimento da doutrina. Em vários momentos a ação é clara e perceptível, em outros fica de forma encoberta e mascarada.

Paulo adverte a Timóteo a cuidar dele mesmo e dos ensinamentos do Senhor, a doutrina bíblica. Esse ensinamento abrange dos membros aos líderes religiosos. Assim como Jesus anunciou “orai e vigiai” (Mt 26.41) todos nós precisamos estar atentos em todos os ataques do inimigo, seja na vida financeira, espiritual, conjugal, profissional e, inclusive, na hora do voto, o sufrágio universal.

Quando cedemos às investidas por conta de dinheiro, benefício, cargo comissionado, bens materiais etc., nós viramos às costas a doutrina bíblica. Em particular, quando voto a minha escolha precisa estar alinhada com a doutrina, para que não esteja sutilmente me desviando dela ao eleger alguém que vai propor normas contra a palavra de Deus. Em resumo, os novos seguidores de Balaão são aqueles que conhecem a palavra de Deus e, de maneira deliberada, preferem os seus próprios interesses ora aceitando a corrupção ora votando em alguém indigno apenas para obter alguma vantagem.

A doutrina bíblica, para eles, fica sempre em segundo plano. A mim já ofereceram dinheiro, compra em supermercado e até carro para ceder a investidas, mas não só a minha educação e mais ainda a doutrina me deram forças para dizer não. Hoje a investida aos cristãos envolve oferta de benefícios, valores e cargos comissionados e muitos tem aceitado. Muitos têm votado em um candidato que oferece benefícios mesmo sabendo que ele é a favor do aborto, da legalização das drogas e dos movimentos LGBTQIA+, ou seja, votam conscientemente em desacordo com a doutrina, esses são os novos seguidores de Balaão e, como tal, escolheram a maldição e não a benção.

Que Deus através de seu Espírito Santo nos ilumine para que fujamos do engano enquanto ainda temos tempo, o povo de Israel descobriu tarde demais qual o preço do seu erro a ponto de Moisés precisar novamente alertá-los no livro de Deuteronômio. Quanto a igreja o alerta de apocalipse a Pérgamo permanece vivo: “Quem tem ouvidos ouça...” Ap 2.17

Sérgio André – Pós graduado em Ciências da Religião