Os novos seguidores
de Balaão
Texto: Números 30.15 a 20
“Vês aqui, hoje te tenho proposto a vida e o
bem, e a morte e o mal; porquanto te ordeno hoje que ames ao Senhor teu Deus,
que andes nos seus caminhos, e que guardes os seus mandamentos, e
os seus estatutos, e os seus juízos, para que vivas, e te multipliques, e o
Senhor teu Deus te abençoe na terra a qual entras a possuir. Porém se o teu coração se desviar, e não
quiseres dar ouvidos, e fores seduzido para te inclinares a outros
deuses, e os servires, então eu vos
declaro hoje que, certamente, perecereis; não prolongareis os dias na terra a
que vais, passando o Jordão, para que, entrando nela, a possuas; os céus e a
terra tomo hoje por testemunhas contra vós, de que te tenho proposto a vida e a
morte, a bênção e a maldição; escolhe pois a vida, para que vivas, tu e
a tua descendência, amando ao Senhor teu Deus, dando ouvidos à sua voz, e
achegando-te a ele; pois ele é a tua vida, e o prolongamento dos teus
dias; para que fiques na terra que o Senhor jurou a teus pais, a Abraão, a
Isaque, e a Jacó, que lhes havia de dar.”
A paz do Senhor,
Nesses últimos dias tenho posto
em meu coração escrever sobre Balaão e seus ensinamentos. Não apenas para
descrevermos seus atos, mas, principalmente, dos que ainda hoje, de forma sutil
e, às vezes, sem perceber acabam seguindo as mesmas escolhas.
Inicialmente precisamos abordar
rapidamente sobre o texto acima onde Moisés (juiz, legislador e profeta) alerta
ao povo de Israel para escolher (decidir, votar) sempre a favor da vida que
está incluída nos mandamentos do Senhor. Alerta também para estar atento e não
ser seduzido de alguma forma e acabem se desviando dos ensinamentos pois isso
geraria maldição e morte. Dito isto, vejamos um pouco a vida de Balaão.
Nos capítulos 22, 23 e 24 do
livro de Números encontraremos dois personagens aliançados, Balaque (Rei de
Moabe) e Balaão, profeta. Segundo o doutor
R. N. Champlin o nome Balaão significa “devorador” ou “estrangeiro”; ele vivia
em Petor (Nm 22.5), cidade da Mesopotâmia e acabou sendo morto junto com os
midianitas (Nm 31.8). Embora não fosse ele hebreu mantinha uma comunhão com
Deus de tal maneira que suas palavras atraíram ao Rei Balaque e, a partir daí,
a vida dele muda drasticamente.
Balaque, temeroso de perder seu
reino em virtude da presença do povo de Israel, propõe pagar um alto preço (Nm
22.7) a Balaão para que mude a benção em maldição. O amor ao dinheiro é a raiz
de todos os males, já nos adverte Paulo em 1 Tm 6.10, para que um líder cristão
não esqueça de seu chamado em detrimento do vil metal.
Embora Balaão fosse conhecedor que
Deus abençoara a Israel (Nm 23.23) ele já havia perdido a visão espiritual,
algo que até uma jumenta possuía, menos o profeta. Descontente com o fato que
perderia os bens materiais por não fazer o que Balaque queria passou a
descrever maneiras vis de fazer desviar a Israel e, consequentemente, atrair
maldições para aquela nação. Instruiu a Balaque a oferecer prostitutas e outros
deuses para o povo hebreu que, infelizmente, caiu no laço e rapidamente se
desviaram do caminho do Senhor, conforme lemos em Nm 25.1-3 e 31.16.
Os ensinamentos de Balaão e sua
ambição por dinheiro são descritos como maldição e associados à corrupção em 2 Pe
2.15 e Jd 11, mas em Apocalipse 2.14 o termo grego skandalon
surge mais enfático e diz “cilada, armadilha”. Nesta parte chegamos ao presente
século.
Os ensinamentos de Balaão geram danos
desde 1450 a.C até aos dias atuais. O alerta mosaico no texto com o qual
abrimos essa mensagem está associado com o texto de 1 Tm 4.16: “Tem cuidado de
ti mesmo e da doutrina”. Nos dias em que vivemos o servo de Deus é seduzido a
abraçar a “corrupção” em detrimento da doutrina. Em vários momentos a ação é
clara e perceptível, em outros fica de forma encoberta e mascarada.
Paulo adverte a Timóteo a cuidar
dele mesmo e dos ensinamentos do Senhor, a doutrina bíblica. Esse ensinamento
abrange dos membros aos líderes religiosos. Assim como Jesus anunciou “orai e
vigiai” (Mt 26.41) todos nós precisamos estar atentos em todos os ataques do
inimigo, seja na vida financeira, espiritual, conjugal, profissional e,
inclusive, na hora do voto, o sufrágio universal.
Quando cedemos às investidas por
conta de dinheiro, benefício, cargo comissionado, bens materiais etc., nós
viramos às costas a doutrina bíblica. Em particular, quando voto a minha
escolha precisa estar alinhada com a doutrina, para que não esteja
sutilmente me desviando dela ao eleger alguém que vai propor normas contra a
palavra de Deus. Em resumo, os novos seguidores de Balaão são aqueles que
conhecem a palavra de Deus e, de maneira deliberada, preferem os seus próprios interesses
ora aceitando a corrupção ora votando em alguém indigno apenas para obter
alguma vantagem.
A doutrina bíblica, para eles,
fica sempre em segundo plano. A mim já ofereceram dinheiro, compra em
supermercado e até carro para ceder a investidas, mas não só a minha educação e
mais ainda a doutrina me deram forças para dizer não. Hoje a investida aos
cristãos envolve oferta de benefícios, valores e cargos comissionados e muitos
tem aceitado. Muitos têm votado em um candidato que oferece benefícios mesmo
sabendo que ele é a favor do aborto, da legalização das drogas e dos movimentos
LGBTQIA+, ou seja, votam conscientemente em desacordo com a doutrina, esses são
os novos seguidores de Balaão e, como tal, escolheram a maldição e não a
benção.
Que Deus através de seu Espírito
Santo nos ilumine para que fujamos do engano enquanto ainda temos tempo, o povo
de Israel descobriu tarde demais qual o preço do seu erro a ponto de Moisés
precisar novamente alertá-los no livro de Deuteronômio. Quanto a igreja o alerta
de apocalipse a Pérgamo permanece vivo: “Quem tem ouvidos ouça...” Ap 2.17
Sérgio André – Pós graduado em
Ciências da Religião